O Árabe

Idéias, sentimentos, emoções. Oásis que nos ajudam a atravessar os trechos desérticos da vida...

sexta-feira, 13 de outubro de 2017

AS NOSSAS ALMAS


Eu vos tenho trazido a minha alma.
E alimento a esperança de que, através do que nela encontrais, possais conhecer as paisagens de vossas próprias almas: os mares e desertos, os abismos e as montanhas, o céu e o chão.
Eu vos tenho contado os meus sentimentos; as minhas alegrias e tristezas, as minhas emoções e ideias. Eu vos tenho falado dos meus sonhos e dos meus despertares, ao longo deste tempo.
Eu vos tenho cantado canções de esperança e desencanto; de amor e solidão; de gratidão e resignação. Eu vos tenho mostrado o que se passa em mim, para que possais entender a vós mesmos.
Eu vos tenho aberto o meu coração. Porque de nada adianta assentar-se o homem entre os seus irmãos, se ali não estiver inteiro; se não derrubar o muro de seus medos e suas desconfianças.
Por isto, busco trazer-vos sempre a minha alma nua. Sei, entretanto, que muitas são as vezes em que ela mesma se envolve em véus; porque é difícil, para a alma, desnudar-se ante suas irmãs.
Perdoai-a, por assim proceder. Perdoai-me pelas vezes em que não vos disse todas as palavras que gostaria; em que não vos mostrei tudo que sentia. Acreditai que assim fiz por nosso bem.
Pois não é generoso, nem sensato, aquele que expõe todas as suas verdades. Porque cada homem tem a sua própria verdade, o seu limite de tolerância, os seus pensamentos e os seus medos.
E, embora sejamos iguais em nossa essência e caminhemos juntos para o mesmo destino, cada um tem direito de fazer o próprio caminho; e nele aprender o que precisa, para atingir o Conhecimento.
Muitas são as portas e as estradas que levam ao Conhecimento. E ninguém chegará a ele, sem chorar todas as suas lágrimas e sorrir todos os seus sorrisos; é a união de ambos, que o faz florescer.
Deixai, pois, que eu continue a trazer-vos a minha alma; e, com ela, as minhas lágrimas e os meus sorrisos. Porque não é o corpo que sente felicidade ou tristeza, mas o nosso verdadeiro Eu.
Podeis, sim, enxugar os vossos olhos; ou ocultar os vossos sorrisos. Mas, se assim fizerdes, a tristeza ou a alegria continuarão presentes em vós e preencherão o vosso mundo interior.
Conhecer a si mesmo; este é o verdadeiro objetivo da jornada. E estamos fadados a caminhar sobre a terra, até que o consigamos atingir; então, seremos capazes de voar entre as estrelas.
Eu vos trago a minha alma. Observai-a bem, em sua pequenez e sua grandeza, para que a possais conhecer. Recordai que o homem precisa conhecer o seu irmão, para conhecer a si mesmo.
E, através da minha alma, podeis conhecer as vossas próprias almas.


Música:
http://ohassan.dominiotemporario.com/midis/1_ernesto_cortazar_misty.mid

sexta-feira, 6 de outubro de 2017

VALORIZAI AS VOSSAS VIDAS


Tudo que existe neste mundo se acaba, um dia.

Acostumai-vos a aceitar esta verdade, e sabereis valorizar o que hoje tendes. Pois é a certeza da morte que vos faz perceber a dádiva da vida; e é a dor da saudade que vos ensina o amor.

Tudo e todos que as águas do destino trazem ao vosso caminho, levarão também de vós. Nada existe sobre a terra, que seja eterno; ou que vos seja dado reter durante todo o tempo.

Aproveitai ao máximo, pois, os vossos momentos felizes; apreciai a companhia das pessoas a quem amais, desfrutai de todos os vossos sorrisos e vivei intensamente as vossas emoções.

Assim eu vos tenho dito. E, entretanto, vos comportais como se as pessoas, as coisas e as situações que vos cercam não fossem mudar; como se  fossem continuar as mesmas para sempre.

Aprendei a valorizar o que tendes. Para que, mais tarde, o remorso por terdes sido os responsáveis pela perda não venha agravar em vós a dolorosa frustração pelo que perdestes.

Valorizai o vosso trabalho. Porque é ele que vos proporciona o suficiente para sobreviver e prover às vossas necessidades; executai-o tendo na alma e nos lábios uma canção de gratidão.

Valorizai o vosso lazer. Porque é nas horas em que o exerceis, que a vossa mente pode vaguear por outros caminhos e encontrar as forças de que precisais para cumprir os vossos deveres.

Valorizai as pessoas a quem amais. Porque são a vossa razão de viver e é da felicidade delas, que depende a vossa própria felicidade: não sereis felizes, se não as virdes também felizes.
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Valorizai as pessoas que vos amam. Porque o seu amor vos faz bem, vos aquece e vos protege; mas, em vosso mundo de trocas, o amor não se sustenta por si mesmo, sem retribuição.

Valorizai a todos que vos cercam. Porque não sois ilhas, mas mundos que gravitam ao redor dos outros; e de como tratardes àqueles que encontrais, dependerá como sereis tratados.

Valorizai as vossas casas. Porque elas são vossos castelos, vossos portos e vossos redutos; nelas vos abrigais, não apenas dos rigores do clima, mas também da insegurança do mundo.

Valorizai as vossas vitórias e as vossas alegrias. Porque são elas que vos fazem perceber o vosso valor e renovam a vossa disposição para continuar seguindo em frente, com fé e esperança.

Valorizai as vossas derrotas e as vossas tristezas. Porque elas vos mostram quão pequeninos sois e vos ensinam que a Vida não obedece aos vossos desejos, mas às suas próprias leis.

Valorizai cada um dos minutos que viveis. E estareis prontos para a Eternidade.


Música:
http://ohassan.dominiotemporario.com/marco/1_eduardo_lages_the_winner_takes_it_all.mid

sexta-feira, 29 de setembro de 2017

A VOSSA SOLIDÃO


Eu percebo a vossa solidão.
Por detrás de vossos rostos sorridentes, das portas de vossas casas. Das mesas lotadas de vossos bares, da música estridente de vossas festas, da vossa dependência de companhia.  
Eu percebo a solidão que vos separa, em meio a vossas próprias famílias. Que se esconde atrás de vossas juras de amor, que espreita em vossas almas, que tentais afogar em cada beijo.
A solidão que vos atinge nas horas mortas da noite, quando cessam os ruídos do mundo. Que se faz mais presente quando todos dormem, e ficais a sós com os vossos pensamentos.
A solidão que buscais afastar em cada novo sonho. Que julgais expulsar de vossos lençóis, entre sussurros e gemidos de prazer, mas se esconde sob vossas camas e retorna após o orgasmo.
A solidão que chora em cada verso sentido que canta o amor; que inspira as mais lindas canções e os textos mais comoventes. A solidão que procurais, em vão, arrancar de vossos dias.
Eu percebo a vossa solidão. Aquela que, como a sombra, vos acompanha por todos os cantos e em todas as horas, embora possa mostrar-se apenas às vezes, quando a luz o permite.
Eu percebo a vossa solidão. Aquela que não se dissolve nas vossas lágrimas sofridas, por mais que choreis; e que coloca uma nesga de medo e tristeza em todos os vossos sorrisos. 
Eu percebo a vossa solidão. Vejo que, em um mundo que se torna cada vez menor, estais a cada dia mais separados e distantes uns dos outros; porque mais e mais vos afastais de vós mesmos.
Não é no sucesso, que encontrareis a cura para a solidão; nem na riqueza, nem no poder e nem mesmo em afagos e carícias passageiras, que não vão além da vossa pele e da vossa carne.  
Pois não é em vossos corpos, que sentis a solidão; mas em vossa alma. Estareis sós, ainda que andeis em meio a multidões, enquanto não aceitardes a vossa própria companhia. 
Assim eu vos tenho dito. Mas insistis em esconder-vos atrás de vossos medos e de vosso egoísmo, esquecidos que de nada adianta sorrir para o mundo, se a solidão dói em vosso verdadeiro Eu. 
É em vós, e não naqueles que vos cercam, que está a sensação de companhia. Sempre vos sentireis sós, a menos que sejais capazes de amar e, verdadeiramente, confiar em alguém.
Guardai convosco esta verdade. Pois necessitais vencer os vossos medos e abandonar a falsa proteção dos vossos muros, para que possais descobrir quão reconfortante é sentir-se acompanhado.
Só assim, vencereis a vossa solidão. 

Música:
http://ohassan.dominiotemporario.com/midis/jaimevillalba-nocturne.mid 

sexta-feira, 22 de setembro de 2017

AS VOSSAS LEMBRANÇAS


Guardai as recordações do vosso passado.
Porque ninguém chega ao cimo da montanha em apenas um dia de escalada. E necessitais estabelecer pontos de apoio, aos quais vos possais recolher, quando o cansaço vos impedir de prosseguir.
Outra não é a função das vossas lembranças. Pois as boas recordações vos estimulam a seguir em frente, enquanto as ruins vos ajudam a escolher bem os caminhos, evitando novos sofrimentos.
Nada existe que mais vos previna contra o fogo, que a dor de uma queimadura; se a esquecerdes, todavia, voltareis a sentir-vos fascinados pela chama brilhante, que tanto mal vos pode fazer. 
Lembrai-vos, portanto, do que se passou em vossas vidas. Momentos haverá, em que necessitareis retornar sobre vossos passos; e mais fácil vos será, se não houverdes apagado os rastros.
Assim como não é sábio o homem que deita fora o que acumulou com o seu trabalho, é igualmente insensato aquele que descarta os ensinamentos que a vida lhe trouxe durante a caminhada.
Pois o vosso maior patrimônio não está nos bens, ou nas riquezas, que aqui ficarão quando vos fordes; mas no Conhecimento, que levareis convosco na Grande Viagem para a Mansão do Amanhã.
É certo que necessitais olhar para diante, ou caireis nos buracos que surgirem em vosso caminho; porém é igualmente certo que, ao recordar as quedas passadas, evitareis as mesmas ciladas.
E um livro não é constituído apenas pela derradeira página; são todas as palavras escritas desde o prefácio, que vos conduzem ao último capítulo e vos tornam capazes de entender a mensagem.
Sede sensatos, pois. E guardai as vossas mágoas tão ciosamente quanto protegeis as vossas melhores lembranças. Pois o esterco malcheiroso fortalece o solo de onde brota a perfumada rosa.
Ensina um sábio ditado que só no hoje se constrói; nada pode ser feito no ontem, nem no amanhã. Entretanto, é com o que aprendemos no ontem que podemos usar o hoje, para fazer melhor o amanhã.
Guardai convosco as vossas lembranças. Porque sois como a criança, que não aprende a andar senão através de tropeços e quedas; outra forma não existe, de percorrerdes os vossos caminhos.
Por certo, muitas serão as vezes em que todos vós caireis. O fraco, porém, não é o que vai ao chão, mas o que nele se deixa ficar; e o forte não é o que permanece de pé, mas o que volta a erguer-se.      
De nada valerão os sofrimentos que atravessardes, se os esquecerdes a cada vez que em vossos lábios brotar um novo sorriso. A dor não existe como ferramenta de castigo, mas de aprendizado.
E não crescereis, senão através de vossas lembranças. 


Música:
http://ohassan.dominiotemporario.com/marco/1_conjunto_las_alturas_yesterday.mid

sexta-feira, 15 de setembro de 2017

BALADA DA CORAGEM


Não vos deixeis abater pelos imprevistos da vida.

Pois, embora possam desassossegar-vos por algum tempo, ou roubar-vos o sono durante algumas noites, todos eles são passageiros; e é de vossas atitudes, que dependerá o seu tempo de duração.

É passageira a vossa própria passagem por este mundo. E, se vós mesmos não permaneceis aqui senão durante o tempo de vossa jornada, menos ainda durarão as coisas que aqui encontrardes.

De que vale, então, agastar-vos por aquilo que amanhã ou depois será passado? Sensato não é o homem que prolonga e intensifica as suas dificuldades e angústias, mas o que busca resolvê-las.

Porque nada resolvereis com lágrimas e lamentações, mas apenas com fé, lucidez e trabalho. Estas, sim, são as ferramentas que solucionarão os vossos problemas e vos ajudarão a prosseguir.

Não são os mares calmos e os ventos amenos, que formam os melhores navegantes; mas as águas bravias e os vendavais. Nem são as colinas que fazem bons alpinistas, mas as montanhas escarpadas.

Delicioso é o banho refrescante no regato cristalino; e árdua é a caminhada sob o sol ardente do meio dia. Porém, o primeiro apenas vos serve para recuperar as forças; é a segunda que vos faz avançar.

É assim que acontece na vida: é preciso subir na árvore, para colher as frutas; empilhar as pedras, para subir a um ponto mais alto; nadar, para atravessar o rio; e construir uma ponte, para cruzar o abismo.

E, a cada vez que o fazeis, aprendeis um pouco mais  sobre vós mesmos e sobre aqueles que vos cercam; a cada dificuldade vencida, mais acreditais em vossa própria força e no Coração do Universo.

Ninguém aprende a ler, sem descobrir as letras; nem aprende a caminhar, sem as quedas e os machucados dos primeiros passos. Ninguém sorri com verdadeira alegria, sem antes conhecer a tristeza.

Porque é preciso estar sob o sol causticante, para valorizar a sombra amiga; é preciso amargar o desamparo, para saber a importância de um abraço; é preciso conhecer a solidão, para viver o amor.

Como o ferro, que necessita ir ao fogo e ao gelo, para tornar-se aço, a vossa alma necessita experimentar todos os sentimentos, para que possa definir as suas prioridades e escolher os seus caminhos.

Pois ninguém conhecerá o alívio, sem ter vivido a agonia; ninguém saberá o valor da esperança, sem haver sofrido o desengano; e ninguém professará a solidariedade, se dela não houver necessitado.
Muitas vezes, eu vos tenho dito: o homem não aprende, senão através das suas próprias experiências. É preciso que derrameis todas as vossas lágrimas e desfruteis de todos os vossos sorrisos.
Para que possais conhecer o vosso verdadeiro Eu.


Música:
http://ohassan.dominiotemporario.com/marco/1_conjunto_las_alturas_exodos.mid

sexta-feira, 8 de setembro de 2017

EM VOSSOS SONHOS


Buscai, sim, os vossos sonhos.
Pois um homem sem sonhos não tem quaisquer motivos para seguir em frente; ninguém caminhará, senão enquanto acreditar que seus passos poderão levá-lo ao lugar aonde deseja chegar.
Esta é a verdade: o barco que não tem como objetivo chegar a um porto, não tem porque seguir uma rota ou enfrentar as tempestades. Vagueia, apenas, até que uma onda mais forte o faça soçobrar.
Aquele que renuncia aos sonhos, renuncia à vida. Porque sem o Norte não existe a bússola, sem o leme de nada adiantam as velas e sem a lembrança do amor não há encanto na saudade.
E não coloqueis limites aos vossos sonhos. Porque isto seria como impor limites às asas das aves, conter as ondas dos mares ou impedir o vento de assoviar a sua música nas palmas dos coqueiros.
Sede livres em vossos sonhos. Porque já bastam as correntes que todos os dias o mundo coloca em vossos pés; porque o homem que nem nos seus sonhos for livre, jamais conhecerá a liberdade.
Entregai-vos aos vossos sonhos, sempre que vos for dado sonhar; com eles viajareis entre as estrelas, descereis ao fundo dos oceanos e subireis ao topo das mais altas e escarpadas montanhas.
Entregai-vos aos vossos sonhos. Ao seu lado, bebereis das mais puras fontes; desfrutareis das mais belas paisagens, ouvireis as mais lindas melodias e sentireis os mais doces e suaves aromas.
Entregai-vos aos vossos sonhos. Em sua companhia, conhecereis a cada momento novos sentimentos e novas emoções; neles, vivereis os mais puros e ternos amores, e as mais intensas paixões.
Em vossos sonhos, encontrareis os mais ricos tesouros; passeareis pelos mais floridos e perfumados jardins, voareis pelo céu mais azul, banhar-vos-eis nas mais cristalinas e murmurantes cascatas.
Em vossos sonhos, podeis conhecer a serenidade da paz e alcançar os vossos maiores anseios; reviver os vossos melhores momentos e desfrutar de um futuro como gostaríeis que seja o vosso.
Em vossos sonhos, o Universo é o vosso limite; podeis flutuar sobre as nuvens alvas, navegar por oceanos sem fim, voar como os pássaros, correr como as gazelas ou nadar como os peixes.
Aproveitai, pois, os vossos sonhos. Porque nenhuma realidade será mais bela que um sonho; como nenhuma luz pode ser mais forte que o sol, ou nada existe mais puro que um sorriso de criança.
Tende presente, entretanto, que um sonho não é mais do que um sonho; assim eu vos tenho dito. Porque sábio é o homem que mantém os pés no chão, enquanto a sua alma vaga entre as nuvens.

Junto ao Coração do Universo.


Música:
http://ohassan.dominiotemporario.com/midis/1_ernesto_cortazar_dreaming.mid

sexta-feira, 1 de setembro de 2017

BALADA DO CANSAÇO


Eu gostaria de poder deter os meus passos.
De estender o meu corpo sobre a grama macia, à sombra de uma árvore frondosa, e repousar um pouco, sentindo a carícia amiga da brisa em meus cabelos e ouvindo o coração da Natureza.
Gostaria de escutar a canção do regato murmurejante e relaxar, observando o botão que se transforma em rosa; de olhar sem pressa para o céu e procurar formas nas nuvens alvas que o vento carrega.
Gostaria que o tempo parasse. Que deveres e inquietações se desfizessem na névoa do esquecimento; que se retirassem do caminho e se assentassem a um canto, permitindo-me um momento de sossego.
Gostaria de encontrar uma cascata pequena e cristalina; de banhar-me em suas águas límpidas, como se assim pudesse lavar o meu corpo da poeira do caminho e a minha alma das dúvidas e incertezas.
Gostaria de abandonar o mundo, por alguns momentos. De estar entre as nuvens, deixando-me levar pelo vento; de voar entre as estrelas, desfrutando de seu brilho prateado no céu escuro da noite.
Gostaria de vagar entre meus sonhos; de andar com eles de mãos dadas, como fazia quando era criança e acreditava no futuro, sem trazer no corpo as cicatrizes e na mente os desenganos do passado.
Gostaria de ter de volta as minhas ilusões. De não haver aprendido a diferença entre esperança e desengano, desejo e realidade; de ser, novamente, capaz de acreditar que o bem sempre vence.
Gostaria que a vida fosse justa; que o homem fosse menos egoísta e entendesse que a verdadeira felicidade não é individual, mas coletiva. Que retorna para nós, quando está naqueles que nos cercam.
Gostaria de um instante sem pensar; de um eterno momento para apenas sentir. Para sentir em mim a pulsação da Vida; em minhas veias o correr do sangue, em minha alma a plenitude do Universo.       
Sim; gostaria de poder parar um pouco. Porque a verdade é que me sinto perdido e já não me acho capaz de encontrar o caminho; gostaria que a tormenta amainasse, enquanto posiciono as velas.
Gostaria de poder dizer que estou cansado. De reconhecer que a carga se torna mais pesada a cada dia, e as minhas forças se mostram cada vez mais débeis. De admitir que sou apenas um homem.
Porque é apenas isto que sou. E por vezes a noite me parece eterna; o frio me enregela os ossos, a solidão me faz esmorecer, a inquietude perante o futuro me assusta e o medo me trava os passos.
Mas é isto que eu sou. E de nada preciso, senão de um rápido descanso; uma figura em uma nuvem, um novo amanhecer, um botão de rosa que desabrocha, uma cascata que canta, uma ave que voa.
Para que a esperança volte à minha alma. 


Música:
http://ohassan.dominiotemporario.com/midis/adagio.mid

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